Concebido para aliar acessibilidade, fiabilidade e desempenho competitivo, tornou-se uma referência na formação de jovens pilotos e na condução desportiva nacional. Equipado com um motor de quatro cilindros em linha, de baixo custo e manutenção simples, oferece uma condução responsiva e didáctica, permitindo explorar plenamente a dinâmica do chassis e das suspensões independentes.

O projecto nasceu do engenho de Eduardo Palmeira, conhecido como “Mestre” Eduardo, que deu continuidade ao trabalho artesanal iniciado nas garagens portuguesas da década de 60. O Aurora V destacou-se pela simplicidade estrutural e pela eficácia do seu desenho tubular, reflectindo a filosofia da Fórmula V: privilegiar a técnica de condução sobre a potência pura. Criado sem grandes recursos nem apoio de engenharia formal, o Aurora V foi fruto da intuição, da experiência e da paixão pelo desporto automóvel.

Entre 1967 e 1969, o piloto Rui de Carvalho, conhecido como “Cavagnac”, tornou-se o principal representante da marca Aurora, enfrentando nomes como Joaquim Filipe Nogueira, Carlos Santos, António Barros, Jorge Santos, Fernando Albuquerque Oliveira, Robert Giannone e Carlos Azevedo. Em Setembro de 1967 conquistou para a marca o primeiro triunfo em circuitos, vencendo o II Circuito da Granja do Marquês. Dois anos depois competiria com este preciso Aurora V Evolução II, hoje aqui apresentado após meticuloso restauro segundo as suas especificações e decoração originais, um verdadeiro símbolo do engenho, coragem e paixão pelo automobilismo nacional.

Este automóvel foi doado ao Museu do Caramulo por Lourenço Ferreira de Almeida.