Após ter fornecido milhares de motocicletas às forças armadas britânicas durante a Primeira Guerra Mundial, com a chegada da paz e nos anos imediatos a BSA foi crescendo ao ponto de tornar-se o maior construtor deste tipo de veículos no Reino Unido.
Tendo em conta a capacidade industrial e a anterior experiência militar, em 1936 a BSA submeteu um modelo a concurso para o fornecimento de uma motocicleta-padrão para o exército britânico. A base era a moto civil M20, concebida pelo famoso Val Page (que trabalhara anteriormente na JAP, Ariel e Triumph) com uma estrutura pesada e resistente, motor simples de um cilindro, válvulas laterais e 500cc de capacidade. Não obstante, o modelo proposto esteve longe de impressionar o júri da aquisição.
Na realidade, a BSA apenas conseguiu ver um modelo seu escolhido em 1938, numa versão WM20 modificada para a função militar que se distinguia pela adição de um grande farol Lucas DUl42 de oito polegadas com a inevitável capa de “black out”.
De uma rejeição inicial, a mesma moto evoluiu para o modelo mais ilustre e produzido em maior número para o Ministério da Guerra britânico. Logo no início do conflito, o governo requisitou as 690 motos que a BSA tinha em armazém e encomendou mais 8000 do modelo WM20. A grande maioria dos modelos BSA WM20 foram entregues ao Exército, embora quantidades menores também tenham sido usadas pela RN e pela RAF. Curiosamente, muitas BSA do Ministério do Ar estavam equipadas com um sidecar fabricado pela Swallow Sidecar Company, de William Lyons, empresa que no pós-guerra mudaria o nome para Jaguar.
Conquanto Val Page a tenha concebido como uma motocicleta de uso geral para escolta de colunas militares e serviço de mensageiros e ligação, devido ao grande número de unidades existentes (foram construídos 126.334 exemplares), a WM20 foi utilizada em todos os teatros de guerra e para todos os propósitos imagináveis, até porque os mensageiros equipados com motos podiam deslocar-se mais rapidamente do que usando veículos de quatro rodas, especialmente em terrenos acidentados ou em áreas urbanas destruídas. Pelo seu notável desempenho, este modelo da BSA ficaria conhecido pela robustez e fácil manutenção, sendo considerado como uma das motos mais fiáveis dos Aliados.
Após a guerra mantiveram-se em uso no exército por muito tempo, até aos anos 60, quase todas tendo sofrido alterações aquando das diversas intervenções mecânicas e reconstruções que iam recebendo. Hoje ainda sobrevivem muitas BSA WM20, mas raras ou nenhumas rigorosamente de origem, por via do seu uso muito prolongado. Por ter estado ao serviço durante a guerra na ilha de Malta, este exemplar apresenta a tradicional pintura em cor-de-areia denominada 8th Army Desert Yellow.




