Com o desenho simplificado e aprimorado para as contingências que teria que enfrentar – como era bem notório nos guarda-lamas quase planos onde a lama eventualmente acumulada nunca bloquearia as rodas – a nova série de veículos, mais potente, com o perfil mais baixo, mais largo, mais curto e melhor capacidade TT denominava-se Dodge WC, sendo concebida como uma gama completa de veículos utilitários leves e médios com tracção integral e produzida em larga escala até ao final da Segunda Guerra Mundial.
Na realidade não tinham muito de revolucionário e a aposta foi precisamente em soluções já testadas e componentes ensaiados na grande produção, o que seria a principal causa do sucesso desta nova série que oferecia viaturas competentes e fiáveis declinadas em 38 versões das quais 30 com tracção integral – alcunhadas de “Beeps” pela contracção de Big Jeeps.
Desse modo, foi com naturalidade que tenha sido escolhida a plataforma dos “Beeps” para criar uma nova ambulância padrão das forças armadas norte-americanas, garantindo um transporte seguro e relativamente confortável no meio do duro cenário da frente de combate.
Denominada Dodge WC-54, a ambulância fazia parte da linha Dodge WC (Weapons Carrier) e partia de um chassis reforçado, suspensões com a taragem revista para serem mais confortáveis, uma caixa fechada metálica construída pela Wayne Works e o uso do potente e fiável motor Dodge T214 de seis cilindros em linha, 3,8 litros de capacidade e que desenvolvia 92cv de potência.
No interior podia transportar quatro macas e estava adaptada para atender às necessidades básicas dos serviços médicos de campanha, contando com armários para guardar equipamentos de primeiros socorros e espaço suficiente para acomodar os pacientes com o máximo conforto possível em ambiente de guerra.
Construída em 29.502 exemplares (alguns dos quais transformados em viaturas de rádio), a Dodge WC-54 foi amplamente utilizada em todas as frentes de batalha, tanto na Europa, como em África ou no Pacífico, desempenhando um papel crucial na evacuação dos feridos para hospitais de campanha e postos médicos avançados, ajudando a aumentar a taxa de sobrevivência. A fiabilidade e resistência como ambulância tornaram assim a WC-54 numa peça indispensável para as forças aliadas. Em abono da verdade, a sua importância iria manter-se mesmo após o final do conflito, com muitas destas ambulâncias a serem cedidas e amplamente utilizadas por serviços civis de socorros e outras, na mão dos militares, a serem usadas na maioria dos conflitos armados até aos anos 60, tornando-se numa verdadeira lenda sobre rodas.

