Fundada em 1904 na cidade de Barcelona, a Hispano-Suiza nasceu da vontade financeira do banqueiro catalão Damian Mateu e da agilidade técnica do suíço Mark Birkigt. O objectivo era criar automóveis de luxo, sendo que o primeiro modelo digno de nota foi o Alphonso de 1911, um desportivo assim designado devido ao apoio demonstrado pelo rei de Espanha, Alphonso XIII, ao projecto de Mateu e Birkigt. Mas é com a abertura da filial em Paris que a Hispano-Suiza começa a ganhar dimensão e, durante a Primeira Guerra Mundial, Birkigt concebe vários motores de aviação de 8 e 12 cilindros. Através da associação à aviação, surge a mascote de radiador da marca. Os motores V8 Hispano-Suiza foram um importante contributo para os aviões SPAD, que proporcionaram inúmeras vitórias aos pilotos franceses. O seu herói máximo foi Georges Guynemer, com 54 vitórias. Apesar de ter sido abatido no final de 1917, continuou a ser um ídolo para todos os franceses. Em 1919, a Hispano-Suiza adoptou o símbolo da cegonha, em homenagem ao Esquadrão das Cegonhas, comandado por Guynemer.

O modelo H6B e as suas evoluções concorreram para tornar a Hispano-Suiza uma marca de referência. Apesar de sedeada em Espanha, a verdade é que toda a actividade de desenvolvimento e produção era feita em Paris, com excepção de alguns modelos mais modestos destinados ao mercado espanhol. O Hispano-Suiza V12, apresentado em 1931 era ainda mais sumptuoso, servindo de base a algumas das mais arrojadas carroçarias. Mas a situação difícil em Espanha e na Europa ditariam o fim desta era. Em Espanha, após o fim da Segunda Guerra Mundial, era necessário construir veículos utilitários, mas a filial francesa havia-se dedicado a produzir componentes para a indústria aeronáutica. Além disso, outra condicionante se colocava pois não havia, à data, apoio financeiro suficiente.

O exemplar do Museu do Caramulo tem uma história absolutamente nacional pois foi adquirido novo, em chassis, sem a carroçaria, mas com todos os componentes mecânicos, por Bento de Sousa Amorim, que o foi buscar à fábrica, a Paris, no dia 30 de Maio de 1924. O afortunado entusiasta de Vila do Conde equipou-o apenas com dois bancos e utilizou-o, com empenho, em algumas provas de automobilismo.

Em 1975 foi adquirido por João de Lacerda para integrar a colecção do Museu do Caramulo. Foi então decidido equipar, finalmente, tão distinto automóvel com uma carroçaria que fizesse justiça à sua qualidade tecnológica. A escolha recaiu num desenho de Kellner dos anos 20, rigorosamente reproduzido em alumínio pelo especialista britânico Tony Robinson. Terminado este trabalho, em Abril de 1982, o Hispano-Suiza teve oportunidade de mostrar as suas qualidades de Grande Turismo, fazendo a viagem de Londres ao Caramulo em apenas dois dias.