Em simultâneo, Porsche foi encarregue de projectar dois novos chassis para um modelo militar declinado em duas versões, ambos com suspensão dianteira independente por barras de torção, com ou sem tracção integral, respectivamente os projectos Porsche Typ 146 e Typ 147.

Para motorizar estes veículos, Porsche criou um motor V8 de 3,5 litros arrefecido a ar, extrapolado de um anterior motor Steyr V8 refrigerado por líquido. A versão 4X4 Typ 147 seria denominada Steyr 1500A e a construção em série começou em 1941 numa fábrica da Steyr-Daimler-Puch. Mais tarde, a Auto Union e a Audi juntar-se-iam ao processo, passando também a produzir o 1500 (a Auto Union na fábrica Wanderer em Sigmar e a Audi na fábrica de Zwickau).

Havia três versões principais do 1500ª: a primeira correspondia a um camião ligeiro para transporte de tropas, com bancos na caixa de carga, a segunda era um veículo ligeiro de transporte todo-o-terreno com capacidade para um pelotão de infantaria de oito homens e a terceira, derivada da anterior, consistia num veículo de comando designado Kommandeurwagen Kfz 21, com equipamento de radiotransmissão e superior padrão de conforto que incluía estofos em pele.

Prático, durável e muito competente, o Steyr 1500A iria conhecer um uso intenso durante o conflito, equipando diversas unidades das Waffen-SS e da Wehrmacht, incluindo o Afrika Korps onde o carro era bastante apreciado por via da simplicidade, conforto e fiabilidade derivada do motor arrefecido a ar – de tal modo que o derradeiro comandante do Afrika Korps, General Hans-Jürgen von Arnim, escolheu um destes “Porsche 147” para sua viatura pessoal.

Em traços gerais existiram duas linhagens facilmente distinguíveis, com o Tipo 1500A/01 com roda sobressalente interna que foi produzido até Agosto de 1942, e o Tipo 1500A/02 com roda sobressalente externa que começou precisamente a sair da fábrica a partir do mesmo mês de Agosto de 1942. A produção manteve-se até 1944, quando a Steyr tinha já produzido 12.450 veículos e a Auto Union e a Audi cerca de 5600, num total de 18.050 unidades, muitas das quais permaneceram em serviço até ao fim da guerra, sendo inclusive usados pelos soviéticos que colocaram ao seu dispor praticamente todos os Steyr que apreenderam.