A partir de 1921, a gama de automóveis de estrada passou a ser concebida pelo mítico engenheiro Hans Ledwinka que regressara à marca, dividindo-se essencialmente entre modelos de luxo e modelos de duas portas de gama média equipados com motores refrigerados a ar. Entre os segundos, encontravam-se os modelos 11 e 12 com dois cilindros opostos nos anos 20 e, a partir de 1932, um modelo novo denominado Tipo 57 com suspensão independente e motor de quatro cilindros opostos, igualmente refrigerado a ar, com 1155cc e 18 ou 20cv de potência. Refira-se que a partir de 1936 foi produzida uma versão T 57A militarizada, para o exército checoslovaco.
Em 1938, a Tatra substituiu o Tipo 57A pelo 57B. Para o novo modelo, aumentou a capacidade do motor para 1256cc e subiu a potência para 25cv. Pouco tempo depois, em Outubro do mesmo ano, e no seguimento da Conferência de Munique, os alemães anexaram a região dos Sudetos e, em Março de 1939, ocuparam o resto do território checo. Em resultado, toda a competente e desenvolvida indústria checa ficou sob domínio do governo alemão, incluindo a Tatra, sediada em Kopřivnice, perto das montanhas com o mesmo nome da marca.
Atentos a tudo o que pudesse ser aproveitado para o esforço de guerra, os alemães viram na versão militarizada do pequeno Tatra 57 uma boa base para um Leichter Personenkraftwagen (veículo ligeiro de passageiros) para o serviço militar. Desse modo, a partir de 1941 a marca checa iniciou a produção de uma versão modificada com altura ao solo aumentada e carroçaria simplificada em chapa estampada, do tipo Kübelwagen, passando a designar-se le. Pkw Tatra 57K.
Este Leichter Personenkraftwagen foi usado como viatura de ligação ou para equipar as unidades de polícia que actuavam na rectaguarda, tanto na frente Leste como em França, onde após o desembarque na Normandia foram capturados diversos destes veículos e colocados em uso pelos Aliados.
Como curiosidade, um desses Tatra T57K capturados e com as marcas das FFI (Forças Francesas do Interior) aplicadas nos guarda-lamas, liderou o desfile da libertação de Paris em Agosto de 1944 – era nada menos que um Tatra de fabrico checo que tinha sido alemão e capturado durante o avanço das Forças Aliadas até Paris, sendo conduzido por Amado Granell, um expatriado republicano espanhol dos 2000 que desembarcaram na Normandia e combateram em seguida com a 2ª Divisão Blindada (DB) francesa do General Leclerc.
Amado Granell foi um dos primeiros aliados a entrar em Paris e por todo o caminho que passara e pelo heroísmo demonstrado foi-lhe concedida a honra de liderar o desfile de uma coluna da 9ª Companhia da 2ª DB, precisamente ao volante de um inusitado Tatra 57K.




