Lotus 100T – 1988
Nelson Piquet
A Lotus entrou em 1988 com a herança pesada de uma década de declínio. Desde a morte de Colin Chapman, em Dezembro de 1982, a equipa procurava reencontrar o rumo, mas a verdade é que não vencia um campeonato de construtores desde 1978. A temporada de 1987 trouxera três vitórias — duas para Ayrton Senna e uma para Satoru Nakajima —, mas o talento do brasileiro não bastara para disfarçar as limitações de um Lotus 99T que, embora inovador na suspensão activa, não era fiável. E Senna saiu para a McLaren no final desse ano. Para o substituir, a Lotus assegurou a contratação de Nelson Piquet, tricampeão mundial (1981, 1983 e 1987), que trocava a Williams-Honda pela equipa de Colin Chapman. A ironia era palpável: Piquet chegava à Lotus com o motor Honda que ele próprio ajudara a desenvolver na Williams, mas num chassis que já não pertencia à elite.
O Lotus 100T foi apresentado em Fevereiro de 1988, desenhado por Gérard Ducarouge, director técnico da equipa desde 1983, em estreita colaboração com Martin Ogilvie, engenheiro de longa data da casa e responsável pelo projecto do chassis. Mantinha a arquitectura do antecessor 99T, incluindo a possibilidade de montar suspensão activa. Contudo, a equipa optou por disputar a grande maioria das corridas com suspensão passiva convencional, para não comprometer a consistência. O motor era o Honda RA168E, um V6 turbo de 1,5 litros, com quatro válvulas por cilindro e dupla árvore de cames à cabeça, que na especificação de corrida debitava cerca de 650 cavalos e, em configuração de qualificação, com as válvulas wastegate abertas para maximizar a pressão do turbo, atingia aproximadamente 900 cavalos. Era o mesmo propulsor que equipava o McLaren MP4/4 de Alain Prost e Ayrton Senna, mas a comparação seria dolorosa.
O carro era nervoso, difícil de afinar e não permitia explorar plenamente a potência do motor Honda. Enquanto a McLaren vencia 15 das 16 corridas do calendário, a Lotus lutava por pontos e, em circunstâncias especiais, por um pódio. A melhor exibição de Nelson Piquet aconteceu no Grande Prémio da Austrália, em Adelaide, onde terminou em terceiro lugar, resultado idêntico aos alcançados em San Marino e no Brasil, mas sempre distante dos dois primeiros classificados. Satoru Nakajima, o piloto japonês apoiado pela Honda, conseguiu apenas um ponto. No final do ano, a Lotus somou 23 pontos e fechou o campeonato de construtores no quarto lugar, atrás de McLaren, Ferrari e Benetton. Piquet terminou em sexto no mundial de pilotos, com 22 pontos, a uma distância enorme dos 90 pontos do campeão, Senna. O 100T foi o último Lotus de F1 equipado com um motor turbo. Em 1989 a Fórmula 1 entrou na era dos motores naturalmente aspirados de 3,5 litros.
O 100T representa, assim, o encerramento de um ciclo técnico e o momento em que a Lotus confirmou a sua transição para uma equipa do meio do pelotão. Este exemplar é um dos seis chassis construídos para a temporada. Ostenta as cores da Camel, o patrocinador principal que, desde 1987, definia a identidade visual da equipa, e o número 1 de campeão mundial, trazido por Nelson Piquet da Williams. Após o final da época, este chassis foi preservado e continua a participar em diversos eventos históricos e demonstrações.
.
Modelo: Lotus 100T
Ano: 1988
País: Reino Unido
Potência: 640-675cv/12.300rpm (corrida) / 900cv (qualificação)
Cilindrada: 1494cc
Peso: 540 kg
Velocidade Máxima: c. 335 km/h
Motor: Honda RA168E V6 turbo
Designers: Gérard Ducarouge (diretor técnico) e Martin Ogilvie (projeto de chassis)
Melhor resultado: 3.º lugar (GP de San Marino, do Brasil e da Austrália)
