Lotus 107C #01 – 1994
Pedro Lamy

O Team Lotus chegou a 1994 num estado de grande fragilidade. A gloriosa equipa de Clark, Fittipaldi, Andretti e Senna, com sete títulos de construtores conquistados, arrastava-se desde o final dos anos 80, numa espiral financeira descendente. Para a nova temporada, Peter Wright, director técnico, e Chris Murphy, chefe de design, prepararam o 107C, uma evolução do 107B do ano anterior. O monolugar mantinha uma arquitectura convencional, com suspensão por triângulos sobrepostos e pushrods, mas tinha motor Mugen-Honda ZA5C, um V10 de 3,5 litros naturalmente aspirado, debitando cerca de 725 cavalos. A caixa de velocidades era uma unidade Lotus de seis relações, semi-automática. A equipa assegurou o patrocínio da seguradora italiana TATTOO e alinhou novamente com o britânico Johnny Herbert, na sua quarta época na Lotus, e o português Pedro Lamy, que se estreava na Fórmula 1, depois de uma carreira brilhante nas fórmulas de promoção, da Fórmula Ford à Fórmula 3000.

A temporada começou com um sinal de esperança ilusório. Na corrida de abertura, no Brasil, Herbert qualificou-se em 11.º, terminando em 7.º e Lamy foi 10.º. Contudo, as dificuldades financeiras reflectiam-se na operação e no desenvolvimento do carro, que rapidamente perdeu competitividade face às equipas do meio do pelotão. A Lotus concentrou as suas escassas energias nas classificações para a grelha, onde a leveza do chassis e a potência do motor Mugen-Honda permitiam, por vezes, brilhar em circuitos velozes.

Este carro é o chassis 01, atribuído a Pedro Lamy, o primeiro português a alinhar num Grande Prémio desde 1964. Depois de quatro corridas e dois resultados no top 10, Lamy viu a sua época interrompida de forma traumática. Durante testes privados em Silverstone, em Maio, o seu Lotus sofreu uma falha estrutural e saiu de pista, embatendo com grande violência num túnel. Lamy fracturou as duas pernas e ficou afastado das pistas durante mais de um ano. A Lotus somou apenas um ponto em toda a temporada, conquistado por Herbert com um 6.º lugar no GP da Bélgica, uma corrida em que terminaram apenas oito carros.

Após o acidente, este exemplar foi reparado, mas como show car. No final de 1994, o Team Lotus declarou falência. O nome regressou em 2010, através da Lotus Racing e, depois, da Lotus F1 Team, que se transformou na Renault Sport Formula One Team, em 2016, e na Alpine, em 2021. 

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Modelo: Lotus 107C #01

Ano: 1994

País: Reino Unido

Potência: ~725cv / 13.500rpm

Cilindrada: 3500cc

Peso: 515 kg (mínimo regulamentar da época)

Velocidade Máxima: 330 km/h (estimada)

Motor: Mugen-Honda ZA5C V10 naturalmente aspirado

Designers: Peter Wright (diretor técnico), Chris Murphy (chefe de design) e Mark Hennings (aerodinâmica)

Melhor resultado: 6.º lugar (Herbert, nos GP do Brasil e Pacífico; Lamy, 8.º, no GP do Pacífico)