Williams FW14 – 1991
Nigel Mansell
A Williams Grand Prix Engineering foi fundada em 1977 por Frank Williams e Patrick Head, após uma primeira aventura de Frank no paddock da Fórmula 1, nos anos sessenta e setenta. Sedeada em Grove, Oxfordshire, a equipa consolidou-se ao longo dos anos oitenta como uma referência de rigor e inovação, acumulando múltiplos títulos de Pilotos e Construtores. O sucesso da Williams assentava numa cultura de engenharia exigente, acompanhada por uma apurada gestão técnica e capacidade constante de atrair os melhores parceiros. Em 1991, a escuderia britânica iniciava um novo ciclo de desenvolvimento, apostando num carro ambicioso e tecnicamente arrojado, com o qual pretendia recuperar a liderança do campeonato face à dominante McLaren-Honda e… Ayrton Senna.
O Williams FW14 foi concebido por Adrian Newey, na qualidade de aerodinamicista-chefe, em estreita colaboração com Patrick Head. O carro estreou-se na temporada de 1991, incorporando tecnologias de ponta que definiriam a direcção técnica da categoria nos anos seguintes. O motor era o Renault RS3B V10, capaz de atingir cerca de 14.000 rotações por minuto, entregando uma potência estimada próxima dos 700 cavalos. A caixa de velocidades semi-automática de seis relações, com mudanças ao volante, era uma das mais sofisticadas, proporcionando trocas de rapport muito rápidas. A suspensão activa, desenvolvida internamente, representava a inovação mais ambiciosa do FW14: um sistema electrónico de controlo da altura do chassis que, na teoria, optimizava o comportamento do carro em cada metro de pista. Na prática, porém, o sistema revelou-se tecnicamente problemático durante grande parte da época, obrigando a equipa a alternar entre a versão activa e uma suspensão passiva convencional. Esta instabilidade de desenvolvimento custou resultados preciosos a Mansell e à Williams, num ano em que a fiabilidade seria factor decisivo no desfecho do campeonato.
O monolugar em exposição encerra ainda um dos momentos mais icónicos da história da Fórmula 1. No Grande Prémio da Grã-Bretanha de 1991, em Silverstone, Ayrton Senna ficou sem combustível na última volta. Após vencer a corrida, que dominara de ponta a ponta, Mansell parou o seu Williams FW14 durante a volta de arrefecimento para dar boleia ao piloto brasileiro, que regressou às boxes sentado no pontão lateral do carro, num gesto que se tornou um dos mais emblemáticos da modalidade.
Nigel Ernest James Mansell nasceu a 8 de Agosto de 1953 em Upton-upon-Severn, na Inglaterra. Após uma juventude marcada por dificuldades financeiras, estreou-se na Fórmula 1 pela Lotus em 1980. Ao longo de uma carreira extensa, representou a Williams, a Ferrari e a McLaren, tornando-se célebre pelo estilo de condução combativo e pela enorme popularidade junto dos adeptos britânicos. Em 1986 e 1987 esteve muito próximo do título mundial, que venceu, finalmente, em 1992. No ano seguinte, venceu o campeonato norte-americano CART em 1993, tornando-se o único piloto a deter simultaneamente os títulos de Fórmula 1 e Fórmula Indy.
A temporada de 1991 ficou marcada pela alternância entre a rapidez do FW14 e a sua imprevisibilidade mecânica. Mansell venceu cinco Grandes Prémios — França, Grã-Bretanha, Alemanha, Itália e Espanha —, sendo o principal rival de Senna na luta pelo título. No entanto, vários abandonos por falhas mecânicas e um segundo lugar final no campeonato, com 72 pontos contra os 96 do brasileiro, deixaram evidente que o potencial do FW14 não foi inteiramente concretizado. A Williams terminou igualmente em segundo lugar no campeonato de Construtores. Porém, no ano seguinte, com o FW 14B, tudo seria diferente.
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Modelo: Williams FW 14
Ano: 1991
País: Reino Unido
Potência: 700-740cv / 14.000rpm
Cilindrada: 3493cc
Peso: 505 kg
Velocidade Máxima: +310 km/h
Motor: Renault RS3B V10 aspirado
Designers: Adrian Newey e Patrick Head
Melhor resultado: 5 vitórias
